terça-feira, 31 de agosto de 2010

“ESSA TAL FELICIDADE!”

Praticamente todos os dias e por toda a nossa vida, estamos em busca desta “tal felicidade”. Mas ao contrário do que parece, ao contrário do que a sociedade contemporânea nos diz, quem só se preocupa com a diversão, com o ter, o poder e o prazer não tem a encontra, talvez até tenha e viva alguns momentos “alegres” ou alguns momentos “felizes”, mas isso não é felicidade.

Inclusive a Felicidade ensinada por Aristóteles, não se esgota no prazer, ou seja, na “eudaimonia” (transliteração da palavra grega felicidade). A felicidade é entendida como o maior bem do homem e identifica-se com o viver bem e o fazer o bem.

Observe! “Fazer o bem” nos torna mais feliz... E prova disso nos temos nas quintas-feiras quando vamos ao hospital (HCB) com o“Projeto Sorriso Grátis” coordenado pelos jovens do CLJ e constatamos que os jovens fazem as crianças, os funcionários e os pacientes muito mais felizes e isso também os deixa felizes, afinal “fizeram o bem”.

Para se entender melhor o que é a felicidade, importa saber o que é uma vida feliz. Para Aristóteles, "a vida feliz parece ser uma vida que se exprime em virtude (que representa a disposição geral e constante do espírito para a prática do bem), a qual é uma vida que envolve ações sérias e não consiste só na diversão (totalmente ao contrário do que a sociedade contemporânea nos oferece). Para, além disso, dizemos que as coisas sérias são melhores do que as que proporcionam divertimento, e que, em qualquer caso, a atividade da melhor parte e da melhor pessoa é mais séria e excelente; e a atividade que é melhor é superior, e por isso tem mais o caráter de felicidade".

Certamente nós precisamos ser sempre felizes, mas não precisamos estar sempre felizes. Sim, uma coisa é estar feliz (o que não acontece sempre), outra, sê-lo feliz. Na filosofia constatamos que desde a Grécia Antiga, os filósofos estabeleceram essa diferença entre ser e estar feliz. Nós podemos ficar felizes com uma nota boa na escola, ficar felizes com uma surpresa inesperada ou ficarmos felizes com uma mensagem de superação.

Agora, sermos felizes é diferente de ficarmos felizes. Para sermos felizes nós precisamos fortalecer nossa “teia” (conjunto de vinculações e relações que enriquecem o nosso ambiente, conforme nos ensinou o educador João Henrique Pestalozzi, lá pelos anos 1750). Nesse sentido entra a família e principalmente os amigos. Sim, os amigos... Se tu quiseres ser feliz assegure para ti muitos amigos (diferente de conhecidos, parcerias, relações artificiais,...). Conquistem amigos do peito, aqueles em que vocês podem confiar na alegria e tristeza, na saúde e na doença... Mas não esqueçam que para essas conquistas também são necessárias ações práticas... Às vezes até de mudanças radicais em nossas vidas, quando temos que literalmente abandonar tudo aquilo que nos afasta “dessa tal felicidade”... Às vezes se faz necessário jogar muito coisa fora, é preciso limpar as gavetas do coração... Tirar tudo aquilo que nos afasta de Deus... Não esqueça, isso é passado, não nos interessa mais... Se foi interessante por um momento, foi por um momento, agora já não nos interessa mais. Para sermos felizes precisamos de coragem, precisamos deixar o medo para trás e começarmos a transformarmos nossa realidade, começar a aceitar que ela está dentro da gente e em mais nenhum lugar.

Sim! Precisamos começar tendo a certeza de que não queremos mais nossos monstros... (lembram-se daqueles que comentamos na semana passada – DECIDI! QUERO ME LIVRAR DOS MEUS MONSTROS... se não lembra, releia no blog do CLJ). Se quisermos ser felizes temos que ter a coragem de nos afastar de tudo o que nos lembra deles (os monstros)... Todas nossas práticas que nos aproximavam deles, fotos, artigos, depoimentos, cartas, até mesmo hábitos pessoais que adquirimos em função deles, volto-lhes a afirmar, uma boa forma é de juntos os sepultarmos na Capela do Santíssimo Sacramento. Com uma boa orientação podemos deixá-los todos lá para sempre... Sem medos, sem receios, sem pudores, vergonhas... Sim, se quisermos ser felizes não podemos alimentá-los ou conduzi-los pela cordinha... chegou a hora de abandoná-los.

Atente que a “felicidade” que buscamos é no final conseguirmos conjugar o verbo SER muito mais vezes do que o verbo TER. Precisamos entender que as conquistas que nos fazem felizes são aquelas que nos permitem crescer enquanto seres humanos... Para um bom cristão, inclusive, relembra a prática ensinada por Jesus Cristo no Evangelho de São Mateus, no capítulo 25 (onde Ela fala dos que estão com fome, frio, sede, excluído, doente... e tudo que fizermos a eles foi ao próprio Cristo que o fizemos).

Portanto, a felicidade faz parte de nossa essência, podemos transmiti-la a todos que nos cercam e assim desfrutar com maior alegria nossa existência. Então você está esperando o que para fazer o outro mais feliz... de um abraço, mande um depoimento, faça um carinho, um afago, diga-lhe: TU É MUITO IMPORTANTE PARA MIM!

Devemos compreender que a Felicidade é longa para quem consegue entender as pequenas felicidades... Só para exemplificar-lhes no final de semana que passou, os jovens do folclore do CLJ fizeram um “posão” aqui em casa, o cardápio era sem requinte algum (pão com carne e linguiça) as acomodações também (a maioria dormiu em colchões pelo chão), mas foi regado de muita alegria, de oração, de muito carinho, de muito amor, de comprometimento da situação de um e de outro. Eu asseguro a vocês, o nosso final de semana foi muito mais feliz, o qual me faz entender melhor a felicidade. Por isso eu lhes afirmo que são pequenos momentos assim que nos faz muito, mas muito, mais feliz.

É certo que cada um tem que buscar a sua própria felicidade, mas eu lhes garanto que ela está no “SER”, e também lhes digo que ela é possível, e não está longe, está bem dentro de nós (comece livrando-se daquilo que te afasta dela e terás um caminho aberto para alcançá-la).

Volto a Aristóteles, o qual nos assegura que a felicidade é a maior meta do homem. O problema que acontece com a maioria das pessoas e com a nossa sociedade atual (principalmente os jovens) é eles acreditarem que a felicidade tem os roteiros das novelas (sexo, droga, prostituição, promiscuidade, homossexualidade, relações descartáveis...). E com isso passam a vida toda buscando coisas que os deixem felizes... É por isso que temos tantos jovens frustrados, tristes, machucados e infelizes... Eles acreditaram no que a novela (que é ficção e das piores) os propunha... Ficam sem amigos, com o corpo maculado, machucado, tristes, infelizes e com sinais dessa busca infeliz... Olhem para os colegas de vocês e me digam se o que estou escrevendo é algum absurdo, uma mentira... Se eles não confundem “momentos de alegria, de muita bebedeira, orgias e perversão com felicidade”?

Caríssimos, eu lhes asseguro a felicidade está nas coisas mais simples, costumamos muitas vezes ler isso nos textos de reflexão, e é a mais pura verdade. Verifiquem se depois do curso (CLJ) quando vocês fizeram “verdadeiros” amigos, se a sua vida não mudou (para melhor – pois agora você É mais feliz). Observem também, se os que não conseguiram concretizar ou efetivar essas amizades não são aqueles que não perseveraram ou que ainda estão meio perdidos e estão buscando isso em outros lugares.

É obvio que a nossa vida não é sempre um comercial de margarina (tudo maravilhoso, tudo cremoso e tudo de bom), também temos nossos momentos de raiva, de dor, de tristeza, de angustia, de medo... Mas superamos isso tudo, com a presença do outro, no exercício da escuta carinhosa, do ombro amigo, do momento de Capela, nos momentos de reflexão e oração ou em momentos como os que os jovens nos brindaram neste final de semana que passou, durante o “posão”. Foi muito riso, muita amizade, muito carinho, oração e comunhão fraterna, troca de sentimentos e palavras e, eu posso lhes afirmar por mim: “eu estou muito mais feliz”.

Concluindo nossa reflexão de hoje, lembro-lhes ainda do que nos afirma Aristóteles em uma de suas obras: “O homem solitário ou é uma besta ou é um deus.” Por isso é que eu particularmente não gosto da solidão, eu confesso-lhes que preciso de gente perto de mim: gente que sorri, gente que me escuta, gente que me repreende, gente que canta, gente que brinca, enfim, gente que me encanta e me faz feliz.

Pense nisso e SEJA FELIZ!

SHALOM!

· O que eu estou fazendo em busca da minha felicidade?

· Que atos concretos tomei ou devo tomar a partir dessa reflexão?

· O que devo deixar na Capela do Santíssimo Sacramento?

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