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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Frustração

Por Diácono Carlinhos


Sabe, já faz alguns dias que começo escrever sobre este tema e termino escrevendo sobre outro assunto, já andava me frustrando com isso. Mas, hoje, depois de conversar com uma jovem vi que é incrível o quanto deparamos com pessoas frustradas. E a minha preocupação reside justamente com o maior público com quem eu convivo, os jovens. Pois como se frustram facilmente. Como abandonam sonhos, projetos e aspirações em decorrência de uma mínima frustração. Caríssimos, aprendemos na psicologia que saber lidar com a frustração é um ponto decisivo para sermos mais ou menos felizes. Lidar com as frustrações é muito importante, tanto quanto, saber lidar com as pessoas e isso inclui o nosso relacionamento no grupo de igreja, na escola, no trabalho, na família, nas relações interpessoais, etc.

Portanto, frustração é uma emoção que ocorre nas situações onde algo obstrui o alcance de um desejo pessoal. Quanto mais importante for o objetivo que nao alcançamos ou que o concluimos em parte, maior será nossa frustração. Não raras vezes a pessoa frustrada adota um comportamento passivo-agressivo, toma uma atitude negativista em relação à sua vida social, ou seja, esta opta por se considerar um ser insignificante e incapaz de executar qualquer tarefa, chegando mesmo a alegar que todas as pessoas exigem demasiado delas. Este tipo de pessoa prefere culpar e criticar as outras nunca se responsabilizando pelos seus próprios atos.

Pessoas frustradas, também aceitam com muita dificuldade ou até rejeitam opiniões de outras pessoas, acreditam pois que estas não dão o devido valor ao seu esforço ou ao seu trabalho. É um tipo de comportamento bastante comum na nossa juventude, quando as pessoas acabam por desenvolver este tipo de comportamento não chegando a ter noção do mesmo.

Asseguro-lhe é tão complicado termos que correr o tempo todo atrás de jovens que se frustram tão facilmente, sob pena de deixa-los a mercê de um mundo cruel e que não poupa pessoas assim. Ensinam-nos que a base desse “lidar com a frustração” começa ainda na infância. É lá que a frustração pode ser moldada, aprendida, exercitada. A pessoa que recebe tudo o quer, na hora que quer sem o mínimo de esforço; que tem uma mãe que sempre pensa: “Vou protegê-la para que não sofra” e se preocupa em atendê-la antecipadamente, sem que a pessoa tente fazer por ela própria, que faz todas as vontades,… faz com que esse ser desenvolva uma baixa resistência à frustração. São justamente jovens desse tipo, que se tornam adolescentes alienados, rebeldes e, posteriormente, adultos problemáticos, cheios de traumas, com problemas de adaptação em diversas áreas, quando não, com patologias mais graves. Mas também sempre é tempo de mudarmos. Se algo não está conforme nós queremos, devemos aprender a lidar com isso e superarmos, principalmente valendo-se dos valores da fé que aprendemos e exercitamos diariamente.

Aprendemos que as fontes da frustração podem ser internas ou externas. Também que as fontes internas da frustração envolvem deficiências pessoais como falta de confiança ou medo de situações sociais que impedem uma pessoa de alcançar uma meta. Enquanto que as causas externas da frustração, por outro lado, envolvem condições fora do controle da pessoa, tais como uma estrada bloqueada ou falta de dinheiro, por exemplo. Temos de entender que há situações em que até podemos mudar, outras porém nós não podemos mudar e precisamos conviver, enquanto que em outras ocasiões há pessoas optam por conviver frustradas por mera acomodaçao, com receio das mudanças.

Devemos, no entanto, perguntar: ”O que eu faço com tudo isso agora?” Trocando o “Por quê?” o “Como?” por “a partir de agora”. Isso possibilita uma mudança para o presente fazendo o resgate da pessoa de seu passado. Permanecer em algum ponto do passado é adoecedor e angustiante. Outro procedimento que ajuda, é perceber que dentro de determinada situação a pessoa deve conviver com aquilo da melhor maneira possível e começar a identificar onde estão as situações que a ajudarão a fazê-lo. Portanto, “conviver com isso da melhor maneira possível” é outro movimento que ajuda a caminhar para frente e não ficar preso ao passado, paralisado. Também devemos trocar a pergunta: “Por quê?” pelo “Para que?”. Situações mudam quando nós trocamos a frase, como por exemplo: Por que eu tive que me apaixonar por uma pessoa assim? Para que eu tive que me apaixonar por uma pessoa assim… Suas respostas serão inúmeras e sempre voltadas para um caminhar à frente. Talvez, tu tenhas que perceber ter te apaixonado pela pessoa errada (incompatibilidade de gênios; bêbado; agressivo; ...) e que realmente vocês não dão certo, então, os problemas serviram para vocês terem certeza dessa situação e tirarem disso algo para o crescimento pessoal e não cometerem o mesmo erro futuramente.

Concluindo gostaria de salientar que devemos pensar em qual é o nosso objetivo/alvo hoje, para que saiamos dessa situação, de frustrados com o grupo, com a escola, com a família... Muda o foco, muda o projeto, muda tua situação... Não olhas só para trás... Porque senão continuarás vivendo frustrado. Tira dessas situações aprendizados para o teu futuro. Muda teu comportamento, reveja tua situação se estás frustrado e seja feliz.

Assim, tu te frustras ou estás frustrado com o que?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A missão da Juventude

Neste ano, o Dia Nacional da Juventude, como me referi acima, comemora a sua vigésima quinta edição com o tema: “Juventude: muita reza, muita luta, muita festa, em marcha contra a violência”. Neste contexto jubilar, queremos louvar e agradecer a Deus por tantos quantos jovens se empenham pelo anúncio do Evangelho. Que o rosto jovem e bonito da Igreja, pelos grupos de jovens, seja cada vez mais motivado para sua atuação, formando vidas que são doadas para a construção do Reino de Deus, na construção de ações concretas em prol da defesa dos direitos da juventude, levando os jovens a serem verdadeiros discípulos-missionários de Jesus Cristo. Jovem que reza, jovem que trabalha, jovem que marcha sempre em favor do Evangelho da Vida. O Papa Bento XVI, na audiência para o Regional Leste 1, ao recordar esse rosto, nos chamou a um trabalho ainda mais eficaz com a Juventude.

O jovem é convidado por Jesus, assim como todo cristão, a ser discípulo. O convite é pessoal: Vem e segue-me (Lc 18,22). E quem se torna discípulo de Jesus transforma-se em portador de sua mensagem, ou seja, em missionário de seu amor. O encontro com Jesus não é algo abstrato. É necessário mostrar aos jovens os lugares e os momentos concretos nos quais é possível encontrá-Lo, como a Sagrada Escritura, a Liturgia, e, sobretudo, a Eucaristia; a comunidade reunida em seu nome, os irmãos e irmãs, especialmente os mais necessitados, nos quais Jesus Cristo está misteriosamente presente.

Por isso, no âmbito de nossa Arquidiocese, quero convidar todos os jovens a se entusiasmarem e enamorarem de Jesus Cristo, alimentados pelo Evangelho e, tendo como conseqüência, a ação apostólica buscando proclamar Jesus através da vida empenhada pelo Reino de Deus.

Que a juventude seja a aurora e a esperança de uma Igreja que é jovem, porque Jesus é jovem e coloca o seu vigor em favor de nossas vidas e da animação de nosso empenho missionário! Jesus, sempre jovem, nos chama e convoca para segui-Lo e testemunhá-Lo. Jovem, vinde e vede!

Trecho do texto Os Jovens e Cristo, de Dom Orani João Tempesta.

Jovens do CLJ, durante o final de semana que passou, vivemos o tema da Campanha da Juventude desse ano. Primeiramente, atendemos ao chamado de Cristo, e o seguimos. Nossa viagem até às Missões foi em razão do sim que demos a Ele e da vontade de buscar mais e mais conhecimento sobre a nossa fé.

Durante a viagem, "a estrada que era longa até parece breve", pois rezamos, fizemos festa e louvamos a Deus com a alegria do jovem cristão. Como muitos disseram, uma viagem de estudos que nem dava prazer, e por causa disso o aprendizado foi maior ainda. Aprendemos muito sobre a origem do cristianismo no nosso estado, sobre os mártires que deram a vida por sua fé, mas também aprendemos muito um com o outro. Conhecemos um pouco mais aquela pessoa que vemos todos os sábados, mas que no máximo damos um "oi".

Completamos nosso compromisso de jovem cristão durante essa viagem, ao Mostrar a todos o Rosto do Senhor. Sem medo ou vergonha, cantamos, dançamos, nos divertimos nas rodas de folcore, nas brincadeiras, nos estudos e nas orações. Dessa maneira, sempre unidos, vivemos a nossa fé. Dessa maneira, cumprimos a nossa missão (lembram-se do que gritamos no curso): EVANGELIZAR.

Por Felipe Drews

Evangelho do Dia

A semente cresce, torna-se uma grande árvore.

Faça a liturgia diária:
http://www.paulinas.org.br/diafeliz/evangelho.aspx

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Juventude: muita reza, luta e festa!

Por Dom Canísio Klaus

No dia 24 de outubro a Igreja Católica no Brasil comemora os 25 anos do Dia Nacional da Juventude. A data surgiu em 1985, no embalo do Ano Internacional da Juventude. Ao longo deste período, muitas coisas bonitas aconteceram e que nos motivam a comemorar. É por isso que o Dia Nacional da Juventude de 2010 tem por lema Juventude: muita reza, muita luta, muita festa, em marcha contra a violência.

Diferentemente do que ordinariamente se diz, a juventude reza. Ela não gosta de rezar do jeito dos adultos. Também não quer mais rezar do jeito das crianças. Mas os jovens procuram a oração. Eles recorrem à oração diante de desafios a serem enfrentados. Rezam sem muitos formulismos e são ecléticos. Se valem de elementos de várias religiões, sem se preocuparem com a ortodoxia da fé. Quando rezam em grupos, reúnem, sem nenhum escrúpulo, elementos das religiões orientais, cristãs, africanas e indígenas. Para a Igreja fica o desafio de auscultar caminhos para mexer com o coração dos jovens em sua prática religiosa. Já que eles gostam de rezar, cabe a nós ajudá-los a terem uma fé mais esclarecida, oferecendo-lhes espaço para o encontro com o divino.

A humanidade deve muito ao espírito de luta da juventude. É este espírito que impede a humanidade de se acomodar. Sem ele a história teria tomado outros rumos. O movimento estudantil de 1968 tornou-se marca para a democracia. A juventude na rua foi decisiva para a volta das eleições diretas no Brasil, e os jovens com as caras pintadas apressaram a cassação do presidente Collor. A sensibilidade para as causas ecológicas e o grito da juventude em 1992: “Ouça o eco da Vida”, criaram ambiente favorável para a implementação de políticas de preservação do meio ambiente. Nos últimos anos, o clamor contra o extermínio de jovens provocou a adoção de políticas de segurança pública e alertou para o (ab)uso da violência policial contra os jovens, principalmente os negros e pobres. Com razão João Paulo II afirma que “os jovens não temem o sacrifício, mas, sim, uma vida sem sentido”.

Para a juventude tudo é motivo de festa. Ela faz festa com coisas muito simples. Enquanto trabalham e estudam durante a semana, os jovens vão planejando a festa do sábado e do domingo. A própria luta se torna festa. A oração se torna festa. Estar com os amigos é festa para eles. Não se sentem à vontade com pessoas estressadas e preocupadas com o amanhã. Para desespero de muitos adultos, curtir o presente é a receita para construir um amanhã melhor. Acreditam na paz como “dom de Deus” e reivindicam liberdade, dizendo que “a vida floresce quando a liberdade acontece”.

Enquanto saudamos a juventude por seu dia, formulamos votos de que as comemorações do Dia Nacional da Juventude (24 de outubro) motivem nossas lideranças a abrirem as portas das comunidades para que o jeito de rezar, lutar e fazer festa da juventude encontre acolhida no seio da Igreja. E que a partir deste jeito as comunidades se renovem e nos unamos “em marcha contra a violência”!

Evangelho do Dia

A quem muito foi dado, muito será pedido.

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Evangelho do Dia

Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar.

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O QUE É ESPIRITUALIDADE?

Por Diácono Carlinhos

Podemos dizer que Espiritualidade é o jeito como vivemos... É a nossa vida espiritual vivida,... Feita de vários momentos.

E a espiritualidade cristã é o nosso jeito de vivermos inspirados pela experiência do Deus Trindade, pela revelação cristã, especialmente pelos valores do Evangelho e, de forma experiencial, pelo seguimento da pessoa de Jesus Cristo.

“... sabemos o rumo a seguir, é Cristo o nosso ideal...”

O fato de sermos cristãos dá uma inspiração própria ao que somos e fazemos: orienta o nosso agir, ajuda a discernir nosso sentir e ilumina as nossas decisões com valores específicos.

Seguimos a frase de Maria por ocasião do primeiro milagre de Jesus nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que ele vos disser!”

Espiritualidade é essencialmente uma experiência: experiência de Deus, feita por pessoas. Experiência de um Deus pessoal, revelado em plenitude na pessoa de Jesus Cristo. Experiência de Deus feita por pessoas.

Dentro desta concepção de fazer uma experiência de Deus, devo então saber o que é certo e principalmente devo ser bom, pois Deus é só amor.

Quando optamos por uma vida de erros, de desenganos, de mundo mundano, nós comprometemos nossa espiritualidade.

Lembrem que recentemente escrevi um texto sob o título: “Minha consciência sabe o que é certo e o que é errado, eu decidi pelo que?

Pois bem, no texto eu relatava meus atendimentos com jovens que haviam me procurado buscando orientação espiritual. Dizia que “os encontrei machucados, confusos, indecisos, tristes, perdidos e principalmente arrependidos. Sim, arrependidos por terem feito o que era errado, muitos deles sabendo que estavam fazendo as coisas erradas.” A consciência deles já os advertia disso, eles sabiam que o que estavam fazendo era errado e, por causa disso agora estavam sofrendo.

Ora, se eu sei qual é o caminho e qual é o rumo a seguir porque eu teimo em ir por outro?

Questionava por que fazemos certas coisas mesmo tendo a consciência de que é errado? E perguntava: no que tu estás pensando agora? Ora, se sabes que é errado, não faças.

Ser consciente das coisas é muito importante, mas o pior erro é fazer o errado, tendo a consciência de que é errado (essa inclusive é uma condição do pecado).

Então meu caríssimo jovem se tu sabes que é errado por que fazer?

Por puro prazer? Para dar um "sabor" à tua vida?

Se sabes que é errado, não faças! Simplesmente não vale a pena. Eu te afirmo que convivo com jovens que depois de fazerem as coisas erradas, se arrependem, sofrem e se sentem perseguidos por um pensamento que os assombra dizendo "Por que fez isso?”.

Ora tu sabes distinguir entre o certo e o errado. Tua família já te mostrou isso. Teus amigos te apontam para isso. A Igreja te ensina sobre isso.

Por que então tu te articulas para fazer justamente o contrário?

Queres sofrer?

Queres fazer as pessoas que gostam de ti sofrer?

E eu concluía o texto conclamando aos jovens: Caríssimos, pensem bem em seus valores morais e éticos, em tuas concepções, em tua ideologia. Cuida de ti... Preserva teu corpo, conserva tua moral, prima pela tua conduta. Eu asseguro a vocês, nunca encontrei um jovem ou adulto que estivesse sofrendo por ter tomado essa decisão: A DE SE PRESERVAR. Lembra-te também que o teu corpo é “TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO.”

E então, o que vocês estão fazendo com o Templo de Deus?

Assim, retornando ao tema proposto para hoje: ESPIRITUALIDADE - devemos entender que pelo fato de sermos jovens líderes cristãos, devemos nos lembrarmos de que Jesus Cristo orienta o nosso agir, ajuda a discernir nosso sentir e ilumina as nossas decisões com valores próprios do ser cristão, mas não nos força a nada... Temos liberdade para aderirmos ou não ao seu projeto. “Eis que estou a porta e bato, se me deixares entrar, entrarei e cearei contigo... Ap. 3, 20” Portanto, ratifico-lhe que espiritualidade é essencialmente uma experiência: uma experiência de Deus, feita por nós, através de nossas opções (bem ou mal) que conforme as decisões que tomamos nos aproxima ou nos afasta de Deus.

Concluindo, ao optar pelo erro eu enfraqueço minha espiritualidade (minha vida espiritual vivida), por isso a afirmação inicial de que a espiritualidade exige uma experiência integral pelo que é certo. Uma opção pelo que é bom. Uma opção pelo amor incondicional a Deus. Como disseram os bispos, em Aparecida: " Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher."(DAp 18).

  • Considerando o texto proposto para hoje, como está sua espiritualidade (sua vida espiritual vivida)?
Tens primado por fazeres experiências de Deus (optando pelo certo)?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Quebra-cabeças


Ganhei de um amigo, há dois meses, um quebra-cabeças de 1500 peças. Eu não montava um quebra-cabeças desde que era criança.

É engraçado como nós deixamos de fazer certas coisas quando crescemos: quebra-cabeças, colorir, brincar com bonecas, pular corda, pique de esconder... Coisas que nos trouxeram tanta alegria quando criança, nós paramos de fazer quando alcançamos uma certa idade – é uma vergonha, não é?

Devo admitir, eu realmente aproveitei o quebra-cabeças. Embora muito frustrante às vezes, era um bom desafio. Cada vez que eu achava uma peça que se encaixava, era extremamente recompensador.

Bom, e daí?

Você já percebeu quantas semelhanças existem entre um quebra-cabeças e a vida?

Num quebra-cabeças, cada peça é parte muito importante no grande quadro. Na vida, são as pessoas e os acontecimentos as partes importantes. Como peças de um quebra-cabeças, cada um de nós é único, especial em seu próprio jeito. Embora semelhantes, não há dois iguais. Ironicamente, são nossas diferenças que nos fazem “encaixar”.

Enquanto eu trabalhava no quebra-cabeças, havia uma peça que eu estava certa de pertencer a um ponto em particular. Mas não se encaixava. Acabava voltando a ela tentando encaixá-la, me esquecendo que já havia tentado. Eu tinha meu pensamento focado no fato de que eu sentia que a peça era daquele espaço.

Penso em quantas vezes eu fiz a mesma coisa em minha vida. Tentando fazer acontecer coisas que simplesmente não era pra ser. Tentava várias vezes, chegava ao ponto de forçar, mas não era pra ser... e nada do que eu fiz mudou isso.

Se você já montou quebra-cabeças, sabe como é perder tempo procurando um pedaço específico. De repente parece tão óbvio... mas eu não conseguia achar. Consegui foi embaralhar ainda mais as peças. Fiquei frustrada e decidi deixar pra lá e ficar longe dele. Quando voltei mais tarde, eu achei a peça imediatamente. Estava bem na minha frente desde o começo.

Minha vida foi assim muitas vezes. Tentava entender por que certas coisas aconteciam e do jeito que aconteciam. Procurava as respostas por todos os lados e às vezes as respostas estavam bem na minha frente. Era só dar uma paradinha, um pequeno passo atrás, respirar e acalmar que as respostas me encontravam.

Olhando as peças deste quebra-cabeças, eu penso nas “peças” de minha vida: minha família, meus amigos, acontecimentos, marcos e celebrações. Uma mistura de bom e ruim, alegria e lágrima, felicidade e tristeza. Penso em todas as peças que imaginei sem importância e sem propósito.

Reflito em todas as peças que em minha vida me fizeram perguntar: “Por que, meu Deus?”... “Por que isto?”

E repentinamente percebi que por causa dessas peças, outras peças se encaixaram tão bem.

Tudo em nossa vida acontece por uma razão. Cada acontecimento, bom ou mau, como uma peça do quebra-cabeças. Deixe uma peça de fora e se quebra a harmonia inteira do produto final.

Talvez ainda não possamos entender o papel importante de cada peça em nossa vida, ainda existem muitos buracos e o quadro ainda não está claro. Mas sei que quando minha viagem nesta vida estiver concluída, e a peça final estiver em seu lugar, eu entenderei. E serei capaz de ver o quadro completo e a beleza de cada peça.

Até lá, eu continuarei a viver com fé. Sabendo e confiando que todas as pelas que eu preciso estão aí e que é só uma questão de tempo até que se encaixem bem. Lembrarei de que há um grande quadro, um plano para mim, e que sou incapaz de ver agora.

Acreditarei que cada peça em minha vida, mesmo as dolorosas, tem propósito e cumprem papel importante. E quando estiver fraca, procurarei força pela oração. Farei isto até que a obra-prima de Deus em mim estiver finalmente completa, e Ele então cochichará: “Muito bom! Está feito!”

Texto de Amy Toohill, tradução de Sérgio Barros.