segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

COMO SE HÁ DE RESISTIR ÀS TENTAÇÕES E AO DEMÔNIO?

(Extrato da obra – A Imitação de Cristo! de Tomás Kempis)

Da imitação de Cristo e desprezo de todas as vaidades do mundo!

Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.

Que te aproveita discutires sabiamente sobre a Santíssima Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus.

Para seguires a imitação de Cristo, precisas olhar de como está tua vida hoje? Tens te sentido tentado? Quais são teus propósitos espirituais? Tens te sentido cansado? Fraco? Perseguido? Abandonado? Enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem trabalhos e tentações, fazem parte da nossa vida, não é possível fugir delas, se tentarmos ficamos doentes no plano físico e no espiritual. Por isso lemos no livro de Jó (7,1): É um combate a vida do homem sobre a terra. Cada qual, pois, deve estar acautelado contra as tentações, mediante a vigilância e a oração, para não dar azo às ilusões do demônio, que nunca dorme, mas anda por toda parte em busca de quem possa devorar (1 Pd 5,8). Ninguém há tão perfeito e santo, que não tenha, às vezes, tentações, e não podemos ser delas totalmente isentos. O demônio se aproxima de um para tentá-lo, enfraquecer sua família, sua vida, seus ambientes e sua igreja. Para superá-lo, imite a Cristo.

São, todavia, utilíssimas ao homem às tentações, posto que sejam modestas e graves, porque nos humilham, purificam e instruem. Todos os santos passaram por muitas tribulações e tentações, e com elas aproveitaram; aqueles, porém, que não as puderam suportar foram reprovados e pereceram. Não há Ordem tão santa nem lugar tão retirado, em que não haja tentações e adversidades. Supere a tentação com a imitação a Cristo.

Nenhum homem está totalmente livre das tentações, enquanto vive, porque em nós mesmos está a causa donde procedem: a concupiscência em que nascemos. Mal acaba uma tentação ou tribulação, outra sobrevém, e sempre teremos que sofrer, porque perdemos o dom da primitiva felicidade. Muitos procuram fugir às tentações, e outras piores encontram. Não basta a fuga para vencê-las; é pela paciência e verdadeira humildade que nos tornamos mais fortes que todos os nossos inimigos. Para vencermos a dor das tentações temos que descer do pedestal que o demônio nos propõe – o pedestal da vaidade, do orgulho, do ciúme, da avareza, da falta de amor, da falta de perdão... Quem fica em cima destes pedestais está afastado de Deus. Supere imitando a Cristo.

Pouco adianta quem somente evita as ocasiões exteriores, sem arrancar as raízes; antes lhe voltarão mais depressa às tentações, e se achará pior. Vencê-las-á melhor com o auxílio de Deus, a pouco e pouco com paciência e resignação, que com importuna violência e esforço próprio. Toma a miúdo conselho na tentação e não sejas desabrido e áspero para o que é tentado, trata antes de o consolar, como desejas ser consolado. Deus conhece o teu coração, sabe das tentações que está sofrendo, da dor física, psíquica e espiritual, mas ao mesmo tempo te dá a oportunidade de vencê-la, imitando a Cristo.

Assim como o ferro é provado pelo fogo, o justo é pela tentação. Ignoramos muitas vezes o que podemos, mas a tentação manifesta o que somos. Todavia, devemos vigiar, principalmente no princípio da tentação; porque mais fácil nos será vencer o inimigo, quando não o deixarmos entrar na alma, enfrentando-o logo que bater no limiar. Então a partir de hoje, não te deixes mais tentar, sozinho jamais conseguirá vencer ao maligno. Imite a Cristo.

Por isso disse alguém: Resiste desde o princípio, que vem tarde o remédio, quando cresceu o mal com a muita demora (Ovídio). Porque primeiro ocorre à mente um simples pensamento, donde nasce à importuna imaginação, depois o deleite, o movimento; a raiva; a ira; o orgulho; a vaidade; e assim, pouco a pouco, entra de todo na alma o malvado inimigo. E quanto mais alguém for indolente em lhe resistir, tanto mais fraco se tornará cada dia, e mais forte o seu adversário. Para superar cada momento de tentar é preciso fazer as pazes com Deus. Imite a Cristo.

Uns padecem maiores tentações no começo de sua conversão, outros, no fim; outros por quase toda a vida são molestados por elas. Alguns são tentados levemente, segundo a sabedoria da divina Providência, que pondera as circunstâncias e o merecimento dos homens, e tudo predispõe para a salvação de seus eleitos. Portanto, o maligno busca a discórdia e tenta entre os justos. Se te sentes tentado agora, imite a Cristo.

Por isso não devemos desesperar, quando somos tentados; mas até, com maior fervor, pedir a Deus que se digne ajudar-nos em toda provação, pois que, no dizer de São Paulo, nos dará graça suficiente na tentação para que a possamos vencer (1 Cor 10,13). Humilhemos, portanto, nossas almas, debaixo da mão de Deus, em qualquer tentação e tribulação porque ele há de salvar e engrandecer os que são humildes de coração. Durante tuas tentações imite a Cristo.

Nas tentações e adversidades se vê quanto cada um tem aproveitado; nelas consiste o maior merecimento e se patenteia melhor a virtude. Não é lá grande coisa ser o homem devoto e fervoroso quando tudo lhe corre bem; mas, se no tempo da adversidade conserva a paciência, o amor, a união e a oração. O justo cuida do tentado e juntos buscam a salvação na imitação de Cristo.

Tem alguns que sofrem muito com os defeitos dos outros, porém, se alguém, com uma ou duas advertências, não se corrigir, não te irrites com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja ele honrado em todos os seus servos, pois Ele sabe tirar bem do mal. Não compete a ti julgá-lo. Procura sofrer com paciência os defeitos e quaisquer imperfeições dos outros, pois tens também muitos defeitos e imperfeições que os outros têm de aturar. Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à medida de teus desejos? Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso reparamos ou corrigimos as nossas faltas. Queremos que os outros sejam corrigidos com rigor, e nós não queremos ser repreendidos. Estranhamos a larga liberdade dos outros, e não queremos sofrer recusa alguma. Queremos que os outros sejam apertados por estatutos e não toleramos nenhum constrangimento que nos coíba. Falamos que queremos ser livres, que queremos ser felizes, que nos sentimos sufocados e presos aos preceitos morais e doutrinários, porém, não nos damos conta o quanto somos ricos justamente por termos estes preceitos e estes valores. Eles nos tornam seres especiais, nos santificam e nos colocam próximos de Deus, através da imitação a Cristo.

Ora, Deus assim o dispôs para que aprendamos a carregar uns o fardo dos outros; porque ninguém há sem defeito; ninguém sem carga; ninguém com força e juízo bastante para si; mas cumpre que uns aos outros nos suportemos, consolemos, auxiliemos, instruamos e aconselhemos. Quanta virtude cada um possui, que melhor se manifesta na ocasião da adversidade; pois as ocasiões não fazem o homem fraco, mas revelam o que ele é. Justamente aqui vemos quem segue os ensinamentos e preceitos de Deus ou apenas os conhece é durante a tentação do justo que vemos quem reconhece a presença de Cristo.

Procura tempo oportuno para cuidar de ti – fazendo tua meditação - e relembra a miúdo os benefícios de Deus em tua vida pessoal e familiar. Faz um recolhimento interior. Olha com carinho as oportunidades que Deus te deu e as situações que colocou na tua vida. Renuncia às curiosidades do mundo. Não pode haver alegria e felicidade segura, sem o testemunho de boa consciência. No silêncio de teu quarto verificas quantas vezes Deus te visitou nos últimos tempos; quantas vezes Ele bateu na tua porta; quantas foram às vezes em que Ele te chamou pelo nome e te propôs mudanças.

Se queres fazer algum progresso, conserva-te no temor de Deus e não busques demasiada liberdade; refreia, antes, todos os teus sentidos com a disciplina e não te entregues à vã alegria. Procura a compunção do coração e acharás a devoção (= ação de não cometer ação má ou pecado). Longe da igreja não há salvação. Imite a Cristo. Pela leviandade do coração e pelo descuido dos nossos defeitos não percebemos os males de nossa alma; e muitas vezes, rimo-nos frivolamente, quando, com razão, devíamos chorar. Não nos damos conta que condenamos nossa alma e trazemos a tentação para dentro de nossa casa. Não há verdadeira liberdade nem perfeita alegria, sem o temor de Deus e Boa consciência. Ditoso aquele que pode apartar de si todo estorvo das distrações e recolher-se com santa compunção (tendo a certeza de não ter cometido ação má ou pecado). Ditoso aquele que rejeita tudo que lhe possa manchar, agravar ou machucar a consciência. Feliz aquele que quando tentado imita a Cristo.

Toda a perfeição, nesta vida, é mesclada de alguma imperfeição, não acertamos sempre e todas as nossas luzes são misturadas de sombras. Não te envergonhes das tuas tentações. Se errou, corrijas. Se te afastou da doutrina de Deus, volte. O humilde conhecimento de ti mesmo é caminho mais certo para Deus. Se estiveres sendo tentado agora, imite a Cristo e terás a tua cura assegurada. Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião. Quanto mais humilde for cada um em si e mais sujeito a Deus, tanto mais prudente será e calmo em tudo, agora, se algo ocorreu que te encolerizou, não persista no erro, corrijas, imites a Cristo. Não te esqueças de que errar é humano e reconhecê-lo é uma atitude madura e louvável a Deus.

Bem-aventurada a simplicidade, que deixa os caminhos dificultosos das discussões, para andar no caminho plano e firme dos mandamentos de Deus! Não te importes, nem disputes com teus próprios pensamentos, nem respondas às dúvidas que o demônio te sugere, mas crê nas palavras de Deus, crê nos seus santos e profetas, e fugirá de ti o malvado inimigo. Muitas vezes é de grande proveito ao servo de Deus passar por tais provações, porque o demônio não tenta aos infiéis e pecadores, que já tem seguros: aos fiéis devotos, porém, ele tenta e molesta de vários modos. Agora! Vai depender de ti se aceitares as tentações e condenares a ti e a muitos outros que dependem dos teus ensinamentos e do teu testemunho. Se não queres a tua condenação e daqueles que te foram confiados imita a Cristo e fica sempre com Deus em teu coração.

Uma feliz e abençoada semana! Shalom!

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