domingo, 11 de julho de 2010

A agulha

por Mons. Elcy Arboith

Uma peça de fazenda estava na prateleira, desejosa de ser transformada em roupa. Sentia que nascera para agasalhar alguma pessoa. Ali, guardada, era inútil e frustrada. Seu destino se concretizava numa roupinha gostosa para envolver o corpo de alguém, defendendo-o do frio ou do calor. Como não era capaz de agir só, convidou o carretel de linha para que juntasse os detalhes, tão logo a tesoura realizasse seu trabalho. O carretel desculpou-se dizendo que sua linha não era suficientemente rígida para furar as peças e uni-las; necessitava da da agulha para realizar tarefa tão nobre. A fazenda, a tesoura e o carretel de linha foram conversar com a agulha. Ela lhes disse que só concretizaria a obra pela mão da costureira.

A equipe foi formada pela fazenda, pela tesoura, pelo carretel de linha, pela agulha e pela costureira e, em mutirão, a roupa foi feita com utilidade e graça. A obra não foi fácil e nem sem dor: primeiro o pano foi cortado aos pedaços, foi perfurado pela agulha e rejuntado pela costura; mudou sua forma até tornar-se o modelo sonhado. Só então se sentiu realizado. No contato com o corpo humano, sentindo-lhe a gratidão, chegou à razão da sua existência.

Quando me foi revelado que Deus é um em três pessoas, entendi que nada, no mundo, se faz por mãos de um só humano, mas na parceria e que o exercício da parceria já é uma forma de se viver! Nem mesmo Cristo nos quis isolados, mas nos fez Igreja.

Ninguém subsiste só. O isolamento é sinônimo de inutilidade e de morte e Deus nos fez para a vida!

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